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Afinal, somos ou não influenciados?

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Publicado a Junho 5, 2017

Através de Jornal Económico

Quando uma marca nos conquista de forma surpreendente e personalizada, não precisamos de incentivos financeiros para gerar reações positivas.

Estava numa fila de espera quando ouvi alguém comentar: “Sei o que quero, ninguém me influencia”. Designa-se por influência a ação exercida pelos astros nos corpos sublunares. Representa, também, a ação que uma pessoa ou coisa exerce noutra. A não ser que se viva sozinho numa ilha não detetável por satélite, somos todos influenciáveis. Temos o poder de decidir, mas somos sugestionados a saber o que queremos, assim como o que não queremos.

 

O Marketing de Influência encontrou uma oportunidade nesta premissa humana. Nascido no universo offline, podemos olhar para as primeiras reuniões da Tupperware dos anos 50, como para os grupos do Facebook de hoje, onde se discutem funcionalidades. O termo “influenciadores” ganha cada vez mais destaque e as marcas percebem que não podem ignorar o fenómeno, sendo que o meio digital contribuiu para tornar mais explícitas as ligações e dar palco às mensagens.

Mark Zuckerberg afirmou que “um influenciador é o Santo Graal da publicidade”. Não há nada mais persuasivo do que uma recomendação de alguém em quem confiamos e isto move as dinâmicas de consumo.

Existem diferentes tipos de influência. Um perfil especialista em pesca submarina pode ter um volume de seguidores baixo, mas quase todos terão o mesmo interesse e, portanto, a probabilidade de seguirem algum conselho é alta. Já um perfil inspiracional com um volume muito alto de seguidores tem um excelente alcance, mas não gerará necessariamente conversão. O fundamental é medir este resultado real e não considerar apenas métricas como gostos ou comentários. Neste contexto, é curioso ver o vídeo que a Porta dos Fundos lançou recentemente a parodiar o influenciador “estrela” com conteúdo significativo equivalente a zero.

 

Isto leva-nos ao enorme poder de um micro-influenciador. Um estudo de 2016 realizado pela Takumi, com 500 mil perfis no Instagram, identificou que perfis com até mil seguidores geram um engagement até 9,7 por cento, cinco vezes maior que o daqueles que possuem mais de 100 mil seguidores. Com efeito, 94 por cento dos consumidores acreditam que os micro-influenciadores são uma fonte confiável e segura de informação e 82 por cento admitem ser altamente proprensos a agir depois de uma recomendação sua.

Quem são estes perfis? Trata-se de pessoas que têm um grupo pequeno, mas fiel, de seguidores, muitas vezes com um claro interesse. São autênticas, sem filtros e com melhores ângulos. Parecemos estar carentes de transparência e encontramos aqui credibilidade. Quando uma marca nos conquista de forma surpreendente e personalizada, não precisamos de incentivos financeiros para gerar reações positivas. Sabemos que isso ocorrerá naturalmente, sem compromisso, e aumentará na medida em que estabelecer um relacionamento duradouro e próximo, desenvolvendo um programa de Influencer Advocacy que angariará reputação positiva a longo prazo. O relacionamento um-para-um assume inegavelmente um papel cada vez mais importante. Afinal, é o consumidor que move as marcas e, também, os outros consumidores.

Artigo de  Marta Pais Oliveira, Gestora de Conta, SA365, E.Life Portugal