Grandes líderes do digital: Sundar Pichai, CEO da Google e da Alphabet

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Publicado a Fevereiro 4, 2020

Foi em 2015 que Sundar Pichai se tornou CEO da Google e, mais recentemente, em dezembro de 2019, CEO da Alphabet, empresa-mãe da Google. Mas quem é Sundar Pichai e quais são as suas perspetivas para o futuro da gigante tecnológica?

 

Origens de Sundar Pichai

A vida nem sempre sorriu a este engenheiro indiano. Pichai nasceu e cresceu em Chennai, na Índia. Era o capitão da equipa de cricket e, em criança, sonhava seguir uma carreira de jogador. Mas ser engenheiro foi o caminho que mais tarde escolheu. Foram as suas origens humildes que o ajudaram, desde cedo, a lutar pelos seus objetivos. A família vivia numa casa com duas divisões e Pichai dormia no chão da sala com o irmão mais novo. O seu sustento era apenas o ordenado do pai, que trabalhava numa companhia de eletricidade local e que acabou por lhe incutir o gosto pela tecnologia. Durante anos, a família não teve televisão, telefone ou automóvel e a prioridade dos pais era a sua educação.

Pichai entrou para o curso de Engenharia Metalúrgica no Indian Institute of Technology. Terminada a licenciatura, em 1993, a Universidade de Stanford ofereceu-lhe uma bolsa de estudo. Para viajar para os Estados Unidos da América e beneficiar da sua oportunidade, Pichai viajou de avião e o bilhete era mais caro do que o ordenado que o pai recebia num ano inteiro.

 

Sundar Pichai em Stanford

 

Em Stanford, frequentou o mestrado em Engenharia de Materiais e, depois de terminar, ingressou na Applied Materials, empresa pioneira da indústria de chips. De seguida, tirou um MBA na Wharton School e teve uma experiência de consultoria de curta passagem na McKinsey.

Foi em 2004 que ingressou na Google e a sua abordagem estratégica fez desde logo a diferença.

 

Qual foi o percurso de Sundar Pichai na Google e como chegou a CEO da Google e da Alphabet?

Com um currículo de sucesso, Pichai aterrou na Google em 2004. Nesta altura, a empresa estava em rápido crescimento e a Microsoft ainda era o seu maior adversário. O atual CEO da Google começou por ser gestor de produtos e o seu primeiro desafio foi trabalhar no Google Toolbar que permitia aos utilizadores fazer buscas nos browsers sem terem de regressar à página inicial da Google.

Nos anos seguintes, Pichai trabalhou no desenvolvimento do Google Chrome. O browser por ele criado era mais rápido e eficiente que qualquer outro e foi lançado ao público em 2008. Em 2012, já era o browser mais utilizado nos computadores e, consequentemente, com o crescimento do Android passou também a ser o mais popular nos smartphones.

A liderança do Chrome aumentou a reputação de Pichai e direcionou-o para cargos de liderança na gigante tecnológica. O seu envolvimento com o Gmail, Google Maps e Chrome OS também contribuíram para os trunfos que Pichai foi conquistando na estrutura da Google. Em 2013, era já Chefe de Produto, posição atribuída por Larry Page. Dois anos antes tinha sido procurado pelo Twitter e, em 2014, foi apontado como um possível CEO da Microsoft. Em ambos os casos, recebeu financiamento para permanecer na Google.

 

Sundar Pichai com Larry Page

 

Finalmente, em 2015, tornou-se CEO da multinacional para substituir Page, um dos co-fundadores da empresa. Neste ano, surgiu a Alphabet e os fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin, tornaram-se presidentes da nova empresa, deixando a Google a cargo de Pichai. Em dezembro de 2019, Page e Brin anunciaram que estavam preparados para se afastarem da liderança da Alphabet, que abarca todas as empresas e produtos da Google. Segundo os fundadores, era necessário simplificar a estrutura. Foi no seu comunicado que declararam que Sundar Pichai acumularia o cargo de CEO da Google e da Alphabet.

A Alphabet e a Google já não precisam de dois CEO e de um presidente. A partir daqui, Sundar será tanto o CEO da Google como da Alphabet.

Os dois fundadores destacaram na sua carta de saída as capacidades de Pichai: conseguiu multiplicar os lucros da Google e ainda encontrar novas fontes de receita. Mas, o abandono nos cargos da Alphabet foi feito numa altura em que são várias as vozes que pedem maior regulação à área da tecnologia, devido a preocupações com a privacidade e manipulação de dados para fins políticos. Embora Pichai já tenha respondido em algumas ocasiões perante o Congresso norte-americano, o duplo cargo traz-lhe pressão acrescida. No entanto, Pichai referiu que o cargo de CEO da Alphabet não lhe traz alterações ao dia-a-dia e afirmou também que continuará com o apoio dos fundadores da gigante tecnológica no futuro.

 

O futuro com Sundar Pichai

Sundar Pichai quer reinventar a Google e todas as experiências digitais que podemos ter. O atual CEO da Google disse à Forbes que:

A nossa visão é que o mundo que temos hoje, em que o mobile prevalece, vai dar lugar a um mundo assente na inteligência artificial por muitos e longos anos.

Sundar Pichai no seu escritório da Google

 

Há muito que a inteligência artificial faz parte do ADN da Google e a empresa já se demonstrou preparada para lançar produtos atrativos capazes de a manter à frente da concorrência. O Google Home é uma das mais recentes inovações, mas Pichai realça que vão ser precisos anos para funcionar na perfeição. Este produto é uma forma nova e interativa de comunicar e os utilizadores podem utilizá-lo como um assistente pessoal que reserva os seus voos, compra bilhetes, responde a mensagens, agenda as tarefas e garante que nada fica esquecido. Não só lhe dá sugestões de presentes para datas especiais que se avizinham como lhe sugere que devia começar a fazer as malas para a próxima viagem.

Pichai vai continuar a trabalhar neste novo assistente e procura assegurar que os utilizadores podem contar com ele em todos os momentos, não só na televisão e no telemóvel, mas também no carro ou no relógio. Para quem tem problemas de fala, o CEO da Google afirma estar a explorar alternativas como, por exemplo, o utilizador escrever o que quer dizer e o Google Assistant verbaliza isso de seguida durante uma chamada telefónica.

Tem o dia pela frente e ‘n’ coisas para fazer, e ele (o assistente) está lá para ajudá-lo.

Sundar Pichai num evento sobre o Google Assistant

 

Embora a superioridade da gigante tecnológica no que se refere à inteligência artificial e ao machine learning ser incontestável, Tim O’Reilly, fundador da O’Reilly Media, deixa um alerta para o futuro: “A força da Google em termos de inteligência artificial pode ser a sua fraqueza, ou seja, pode correr o risco de passar ao lado oportunidades simples para criar experiências que interessam minimamente aos utilizadores.

Falar no futuro da Google passa por falar no Google Brain que está no centro de todos os produtos inovadores. O Google Brain teve início em 2011 e corresponde a uma equipa de pesquisa de inteligência artificial que procura, constantemente, introduzir melhorias na indústria tecnológica. Pichai acredita que o aperfeiçoamento contínuo da inteligência artificial vai ajudar a empresa a ter sucesso.

Enquanto o Google Brain segue com as suas investigações, os concorrentes da Google não querem ficar para trás. Nos próximos anos, Mark Zuckerberg quer ir mais além no reconhecimento de imagem e na compreensão de língua com base no Messenger; Jeff Bezos já aposta em vários recursos para trabalhar nos produtos da sua assistente digital, a Alexa; quanto à Apple, também tem a sua atenção voltada para a Siri.

Para Pichai, é a Google quem se encontra na dianteira, mas nos próximos anos vai ter que gerir várias frentes: não só o Facebook, a Amazon, e a Apple, mas também a Microsoft, no que diz respeito ao negócio do software e ao mercado de serviços na nuvem.

 

Empresas que constituem a parceria “Connected Home over IP”

 

Concorrentes também podem cooperar e foi em dezembro de 2019 que a Google anunciou uma parceria histórica com a Amazon e a Apple. As três empresas tecnológicas juntaram-se para impulsionar e simplicar a tecnologia Smart Home. Esta união teve até direito a um nome: Connected Home over IP, que permitirá a criação de dispositivos inteligentes que sejam compatíveis com os sistemas operativos Android e iOS, mas também com o Assistente da Google, Alexa e Siri.

O futuro promete. Não só a Google Assistant vai realizar uma variedade enorme de tarefas, como também o Gmail vai escrever por nós. A forma como utilizamos o nosso smartphone também se vai alterar e vamos assistir ao surgimento de produtos e serviços que ainda nem imaginamos.  

 

 

Referências

https://www.bbc.com/news/technology-50656803

https://www.britannica.com/biography/Sundar-Pichai

forbespt.com

https://insider.dn.pt/noticias/sundar-pichai-de-gestor-de-produto-a-dono-do-reino-alphabet-e-google/23299/

https://www.jn.pt/inovacao/as-origens-humildes-do-novo-ceo-da-google-4724710.html

https://www.theverge.com/2019/12/20/21031629/google-ceo-sundar-pichai-pay-package-amount-alphabet-compensation-stock

https://www.theverge.com/2019/12/4/20994896/google-alphabet-ceo-sundar-pichai-era-culture-antitrust-regulation