Stranger Topics: Tendências da década 2020

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Publicado a Junho 1, 2020

Opinião de Jairson Vitorino na Fullcover Magazine

Considerando o trabalho que está a ser realizado por cientistas em todo o mundo, o futuro parece brilhante! Jairson Vitorino, co-fundador e CTO do Elifegroup, analisa as principais áreas que acredita que terão impacto no desenvolvimento futuro do nosso planeta.

 

1- Longevidade

No início do século XIX, a expectativa de vida dos europeus era de 33 anos. No final do século 20, aumentou para 77. Nas décadas mais à frente, esperamos um novo salto; alguns autores apontam para uma expectativa de 130 anos para o final do século XXI. Populações que vão viver mais, e num grande conforto, vão desenvolver novas necessidades e hábitos e criar novos nichos de mercado que não conseguimos imaginar hoje. Para além do óbvio, como o turismo e a saúde, o entretenimento, os assistentes digitais, o e-commerce e a realidade virtual e aumentada são áreas que podem trazer dezenas de mil milhões de euros anuais à economia mundial.

 

2- Casas Inteligentes

O IKEA anunciou recentamente uma nova divisão de smart home que se foca exclusivamente no desenvolvimento de projetos da empresa sueca para a casa do futuro (a empresa já tem atualmente 1 mil milhão de consumidores globais). Desde lâmpadas inteligentes a cortinas que operam por comandos de voz, a IKEA posiciona-se para trabalhar com fornecedores de plataformas de IA como a Amazon, Google, Apple e Microsoft.

A longevidade e as casas inteligentes são adequadas do ponto de vista económico. Depois da reforma, as pessoas vão viver durante mais décadas e passar mais tempo em casa, podendo desfrutar de novas tecnologias.

 

3- Robôs e automatização

Na Universidade de Singapura, um grupo de pesquisa treinou um robô para montar uma cadeira do IKEA. O Projeto DFAB House, desenvolvido em Zurique pelo The National Centre of Competence in Research, combina drones, 3D printing e robôs para automatizar tarefas repetitivas de construção. Esta combinação de 3D printing e robôs gera menos desperdício e acelera a construção de casas.

O uso da robótica em diversas parte da nossa economia deve-se tornar notável na segunda metade de 2020. Imagine: robôs a construir  habitações acessíveis e seguras em África e serviços RaaS (Robots As A Service) que reúna todos os móveis da sua nova casa. O seu futuro será certamente mais automatizado.

 

4- Entender os seres humanos

Na próxima década, teremos acesso a software cada vez mais sofisticado que será capaz de traduzir textos quase como um ser humano, dialogar com uma secretária para marcar uma consulta médica ou fazer uma compra online, auxiliar um consumidor a utilizar uma nova máquina ou a consertar o seu ar-condicionado.

No final da década de 2020, sistemas de IA vão conseguir ler milhares de artigos científicos e serão capazes de resumir o conhecimento desses artigos e produzir novo conhecimento através de sofisticados processos de inferência. Pela primeira vez na história, inteligência residente em software será capaz de realizar as suas próprias descobertas científicas!

 

5- Streaming, jogos, realidade aumentada e uma pitada de IA

Com a inclusão do próximo mil milhão de pessoas na economia digital, os atuais líderes de consumo de media por streaming, Amazon, Netflix, Apple, Disney e Spotify, procurarão a consolidação. A promessa da realidade estendida, combinada com software inteligente, pode finalmente criar ambientes imersivos que mudam radicalmente o modo como comunicamos, criamos, compramos/consumimos media e aprendemos. A indústria da Educação poderá ser uma das mais afetadas.

Tutores artificiais inteligentes, juntamente com módulos de realidade aumentada, podem redefinir a sala de aula de forma tão radical que muitos dos modelos atuais atuais podem até desaparecer.

 

6- Veículos autónomos e partilha de passeios

A Uber e a Lyft possuíam, combinados, cerca de 72 mil milhões de euros de valor de mercado em setembro de 2019. Como comparação, a Lufthansa,  tem um valor de menos de 8 mil milhões de euros. Estes números refletem o começo da curva da disrupção que o mercado de transporte irá sofrer na próxima década.

O anúncio da Google sobre o seu projeto de lançar um veículo autónomo, lançou ondas pelo globo e despertou os gigantes da indústria automobilística e empresas como a Uber. Este “efeito manada” é positivo para os consumidores, que agora assistem da plateia a uma corrida ao ouro de pelo menos 20 grandes players.

 

7- Dominar o espaço, a Internet para todos e Conectividade infinita

Historicamente, o custo de lançamentos de foguetes desde a era espacial tem sido astronómico, entre os 100 milhões e 300 milhões de euros. Porém, novas empresas estão a oferecer soluções com um custo muito mais competitivo.

A Rocket lab da Nova Zelândia planeia lançar um foguete por semana já no próximo ano e, se tudo correr bem, os lançamentos passam a ser diários.A Virgin Orbit, de Richard Branson, testou este ano o seu “cosmic girl”, um boeing que leva um foguete e faz o seu lançamento da estratosfera. Também existe o desejo de providenciar internet de alta velocidade para todo o planeta. Para alcançar este objetivo, a Amazon quer colocar uma “constelação” de mais de 3 mil satélites. A SpaceX já lançou 60 satélites em órbita e planeia chegar a 12 mil satélites.

 

8- Interfaces entre cérebro e máquina

Cientistas da Universidade da Califórnia desenvolveram um protótipo de sistema capaz de ler e descodificar a atividade cerebral de pessoas enquanto elas falam. Tais protótipos podem ser usados para criar um software que permita às pessoas controlarem dispositivos, jogos e qualquer tipo de aplicações de computador.

Start-ups como a Neurolink e a Paradromics estão a trabalhar para desenvolver este tipo de soluções. Uma motivação fundamental deste trabalho é restaurar a função neurológica de pessoas com lesão medular, acidente vascular cerebral, lesão cerebral traumática ou outras doenças ou lesões do sistema nervoso.